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Jung dedicou grande parte de sua vida a estudar, entender e dar sua interpretação `as operações alquímicas, que, segundo ele, concordava visivelmente com a psicologia analítica, com sua psicologia do inconsciente e a busca de um estado de auto conhecimento total, a totalidade. Como a grande Obra da alquimia é justamente encontrar esta totalidade, é neste ponto que nasce o encontro entre a alquimia e a teoria Junguiana.

Do ponto de vista transpessoal, o estudo desta simbologia e sua aplicação no processo de desenvolvimento pessoal, podem levar a uma aproximação dos elementos pessoais e transpessoais da consciência. Márcia Tabone (2005) cita que “a exploração do potencial evocativo de certos símbolos aos quais são atribuídos significados somente ou predominantemente transcendentes pode ser utilizada para promover a experiência transpessoal.”

A alquimia descreve um processo de transformação químicas e dá inúmeras instruções para sua realização. Dificilmente dois autores tinham a mesma opinião a respeito de como este processo seria feito, mas concordavam sobre os principais pontos. Seriam três os estágios de mudança da matéria, nigredo, rubedo e albedo, alguns autores defendiam um quarto estágio, o citrino que acabou caindo em desuso. As operações para chegar ao estágio final variavam de sete a doze operações. O opus alquímico não tratava em geral unicamente aos experimentos químicos, mas a algo semelhante aos processos psíquicos, expresso em uma linguagem pseudo química.

Uma vez que o processo dificilmente conduzia `a meta esperada, cada uma de suas partes não era levado a termo de modo padronizado; a mudança na classificação de seus estágios era mais devido ao significado simbólico do quaternário ou da trindade, ou seja, era devido a razões de ordem interna e psicológica, do que do resultado em si. 

A sequência das fases nos diversos autores também dependia, em primeiro lugar, de sua concepção de meta; `as vezes se tratava da tintura branca e vermelha (aqua permanens); `as vezes da pedra filosofal, ou ainda da panaceia (aurum portibile), vidro de ouro (vitrum aureum), vidro maleável (vitrum malleabile), enfim as concepções de meta eram tão vagas e suas variantes tantas quanto os processos individuais.

Para Jung, 2007, O alquimista tinha um conteúdo desconhecido por ele, que era apenas conhecido através de alusões. Assim sendo, ele desconhecia a verdadeira natureza da matéria. Na medida em que procurava investiga-la, projetava outro mistério, isto é, projetava seu próprio fundo psíquico desconhecido no que pretendia explicar: “obscurum per obscurius, ignotum per ignotius ( o obscuro pelo mais obscuro, o ignorado pelo mais ignorado). Tratava-se evidentemente não de um método intencional, mas de um acontecimento involuntário.

A rigor, a projeção nunca é feita, ela acontece, simplesmente está aí. “Na obscuridade de algo exterior eu me defronto, sem reconhece-la, com minha própria interioridade ou vida anímica”. Analisando diversos tratados, Jung pode verificar que diversos alquimistas tinham visões durante suas experiências de laboratório e que explicavam uma determinada teoria através de revelações oníricas.

Segundo Edinger, 2007, é muito fácil perder o rumo nas sessões de psicoterapia, pois a análise coloca em movimento “acontecimentos misteriosos e abismais”. Por este motivo, segundo Edinger, há uma busca incessante de teorias da psique, que pelo menos oferecem um sentido de direção. Para não se submeter a uma teoria preconcebida que pode ser limitada e inadequada, busca-se a compreensão da psique no âmbito dela mesma. Isto é o que se faz quando se tenta compreender o processo da psicoterapia a partir da alquimia. “dissolve a matéria em sua própria água”. Por este motivo, descreve e analisa sete operações alquímicas que considera como sendo as principais operações e que podem ser compreendidas como os sete passos para a transformação do ser.

Edinger cita “Praticamente todo o conjunto de imagens alquímicas pode ser organizado em torno dessas (sete) operações”. 

Estas operações formam como um mapa, pois as imagens alquímicas concretizam as experiências de transformação pela qual a pessoa passa na psicoterapia. Edinger, 2007, diz que “a alquimia oferece uma espécie de anatomia da individuação”. Cita ainda que as imagens serão mais significativas para aqueles que tiverem tido uma experiência pessoal do inconsciente.

O processo começa pela operação de Calcinação ou Calcinatio. A calcinatio é a operação do fogo, assim como a Dissolução ou Solutio é a operação da Água, e Sublimação ou Sublimatio do Ar e a Coagulação ou Coagulatio, a da Terra. As outras três operações são a Mortificação ou Mortificatio, Separação ou Separatio e Coniunctio.


Escrito por Ana Beck e faz parte da apostila da aula

 “A saúde e a doença na visão da alquimia”