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O Fogo inicia e termina todas as coisas, esta é uma máxima alquímica. Toda imagem alquímica que tenha fogo livre queimando ou afetando outras substâncias se relaciona com a calcinatio. Isto nos leva a todo o rico e complicado tema do simbolismo do fogo. Jung demonstrou que o fogo simboliza a libido, o que é uma afirmação bem geral. 

Como exemplo da interpretação psicológica de uma figura alquímica temos a seguinte receita: “ Toma um feroz lobo cinzento, que... é encontrado nos vales e montanhas do mundo, nos quais uiva, quase selvagem, de fome. Dá-lhe o corpo do rei e, quando ele o tiver devorado, queima-o totalmente, até torná-lo cinzas, numa grande fogueira. Por este processo, o rei será libertado; e quando tiver sido realizado por três vezes, o leão terá suplantado o lobo e nada nele para devorar. E assim nosso corpo terá se tornado apropriado para o primeiro estágio de nosso trabalho.”
 


Na figura acima, Edinger, 2007 interpreta psicologicamente a figura como sendo a morte (mortificatio) do princípio que rege a consciência, a mais elevada autoridade da estrutura hierárquica do ego. O lobo representa o desejo faminto, o lobo por sua vez alimenta o fogo que também representa o desejo, portanto o desejo consome a si mesmo. Depois de se consumir o ego representado pelo rei, renasce num estado purificado. As três vezes parece nos remeter a três níveis, do lobo (desejo elemental), do fogo ou leão (impulso egocêntrico) e o do rei (consciência objetiva).

A calcinatio é efetuada no lado primitivo da sombra, que acolhe o desejo faminto e instintivo e é contaminado pelo inconsciente. O fogo para o processo vem da frustração destes mesmos desejos instintivos. Uma tal provação de desejo frustrado é um aspecto característico do processo de desenvolvimento.

Em toda parte, também se associa o fogo com Deus, sendo ele, por conseguinte, representante das energias arquetípicas que transcendem o ego e são experimentadas como numinosas.

Paracelso afirma: “Pelo elemento fogo, tudo o que há de impuro é destruído e retirado. Na ausência de teste pelo fogo, não há como provar uma substância. O fogo separa aquilo que é constante ou fixo daquilo que é fugidio ou volátil”.

A falta de fogo provoca covardia, apatia, falta de vontade, descrença em si, a não reação ao estímulo e preguiça. Seu excesso provoca excitação constante, impaciência, não conseguem ficar parados por muito tempo, são coléricos, começam vários projetos e não terminam nenhum, são grandes líderes, porém não conseguem fixar grupos pois querem resolver tudo sozinhos, estão sempre procurando novas coisas, por isso são dispersos. Palavras chaves: impulso, vontade, ação.

Escrito por Ana Beck e faz parte da apostila da aula “A saúde e a doença na visão da alquimia”