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O coagulatio pertence ao simbolismo do elemento terra. Em laboratório, o coagulatio é o que transforma o liquido em sólido através do resfriamento. Pode-se dizer que é o que transforma as coisas em terra. A terra dá forma, é pesada, densa, tem forma e localização específicas. Para um conteúdo psíquico, tornar-se terra significa concretizar-se numa forma localizada particular, ou seja, tornar-se ligado a um ego. 

A atividade e o movimento psíquico promovem o desenvolvimento do ego. Quando este é exposto a realidade, tem que se adaptar, moldar, aprender e isto solidifica a personalidade.

Pode-se equiparar a coagulatio a criação. Na Turba Philosophorum, 2008, há a afirmação: “Deus criou todas as coisas pela sua Palavra, tendo dito a elas: Sejam, e elas foram feitas dos quatro elementos, a terra, a água, o ar e o fogo, que Ele coagulou.”

Outra substância a ser coagulada na alquimia é o espírito de mercúrio acerca do qual Jung, 2003, escreveu amplamente. Ele é, em termos essenciais, o espírito autômato da psique arquetípica, a manifestação paradoxal do Si-mesmo transpessoal. Submeter o espírito de mercúrio `a coagulatio nada mais é do que ligar o ego com o Si-mesmo, realizar a individuação. A assimilação de um complexo é, portanto, uma contribuição `a coagulatio do Si-mesmo.

O atrativo do desejo é a doçura da realização. 

Jacob Boehme, tratando da manifestação divina, diz: “ao desejar, a vontade se contrai e se torna substancial. Assim criam-se trevas dentro dela, ao passo que, sem o desejo, não haveria senão quietude eterna, sem substancialidade”. O mesmo é descrito no livro tibetano dos mortos, onde o espírito ao ver seus pais em coito deseja pai ou mãe, dependendo se será mulher ou homem, portanto pode-se concluir que o desejo irrefreado não é apenas um aspecto coagulado da psique, mas também seria o início do processo encarnatório.

Psicologicamente, há pessoas que não sabem o que querem, sua libido não tem força suficiente para impulsionar a realização do que desejam, não fazem o coagulatio e ficam como espíritos que não coagulam, quer dizer, não caem na matéria. É preciso para o desenvolvimento do ego e individuação que as pessoas cultivem e alimentem seus desejos, somente desta forma é que a energia psíquica se mobilizará para promover a experiência de vida e desenvolvimento necessário. Na psicoterapia, o surgimento de desejos de transferência indica com frequência o início de um processo de coagulatio, razão pela qual deve ser tratado com cautela.

A coagulatio costuma ser seguida por outros processos, em geral pela mortificatio. Aquilo que coagulou agora está preparada para a transformação.

A falta de terra provoca falta de ambição pessoal, insegurança, não realização de projetos, não se gostam fisicamente, acomodação, inércia e falso desapego material. O seu excesso leva ao materialismo, ambição, apego a bens materiais, só acreditam no que vêem e tocam, possuem medo constante de perder o que têm, não têm limites no trabalho porque querem produzir e  ganhar mais. Palavras chaves: realização, conclusão, formatação.

Escrito por Ana Beck e faz parte da apostila da aula “A saúde e a doença na visão da alquimia”