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A coniunctio é o ponto culminante da opus. 

Quando se tenta compreender o rico e complexo simbolismo da coniunctio, é aconselhável distinguir entre duas fases: 

A coniunctio inferior é uma união ou fusão de substâncias que ainda não se encontram completamente separadas ou discriminadas. É sempre seguida pela morte ou mortificatio. 

A coniunctio superior, por outro lado, é o alvo da opus, a suprema realização. 

A coniunctio inferior ocorre sempre que o ego se identifica com conteúdos provindos do inconsciente. O ego vê-se exposto sucessivamente a identificações com a sombra, a anima/  o animus e o Si-mesmo. Essas coniunctios contaminadas devem ter como consequência a mortificatio e uma separatio adicional. Uma sequência semelhante manifesta-se no aspecto extrovertido do processo. 

O ego identifica-se com determinados indivíduos, grupos, instituições e coletividades (transferências coletiva e individual). 

Essas identificações são misturas contaminadas, que contém tanto o potencial do indivíduo para nobres lealdades e para o amor pelo objeto como para desejos não regenerados de poder e prazer. 

Elas devem passar por uma purificação ulterior antes de a coniunctio superior ser possível.

O objetivo da opus é a criação de uma entidade miraculosa: Pedra Filosofal; Nosso Ouro; Água Penetrante; Tintura, etc. 

Sua produção resulta de uma união final dos opostos purificados e, como combina opostos, mitiga e retifica toda unilateralidade.

“uma pedra que tem o poder de dar vida a todos os corpos mortais, de purificar todos os corpos corruptos, de amolecer todos os corpos duros e de endurecer todos os corpos moles” 

A Pedra (personificada como a Sapientia Dei) diz sobre si mesma: “Eu sou a mediadora dos elementos, que faz um concordar com o outro; aquilo que é quente torno frio, e vice-versa; aquilo que é seco torno úmido, e vice-versa; aquilo que é duro torno mole, e vice-versa. Sou o final e meu amado é o começo. Sou toda a obra, e toda a ciência oculta-se em mim.”

Afirma Jung: 
“Aquilo que a natureza inconsciente buscava, em última análise, quando produziu a imagem da Lápis, pode ser visto de maneira bem clara na noção de que esta se originava na matéria e no homem... 

A espiritualidade de Cristo era por demais elevada e a naturalidade do homem, por demais inferior. 

Na imagem da... Lápis, a ‘carne’ glorificou a si mesma à sua própria maneira; ela não se transformou em espírito, mas, pelo contrário, ‘fixou’ o espírito na pedra”.
Uma imagem importante da coniunctio é o casamento e/ ou o intercurso sexual entre Sol e Luna ou outras personificações dos opostos. 

Esta imagem nos sonhos refere-se à coniunctio inferior ou superior dependendo do contexto.

A imagem de um crescimento miraculoso de flores ou de vegetação aparece em sonhos como evidência de proximidade da coniunctio. Nem sempre ela é auspiciosa, já que pode significar inflação para um ego imaturo.

Outra imagem tradicional da coniunctio é o Cântico dos Cânticos bíblico. Fala do “amor forte como a morte” (8: 6), aludindo ao fato de a coniunctio se encontrar fora do tempo.

Escrito por Ana Beck e faz parte da apostila da aula “A saúde e a doença na visão da alquimia”